sexta-feira, 11 de abril de 2008

METAMORFOSE

Uma lagarta, quando vira borboleta, não morre, se transforma.

Não sou velho. Nem antigo, como costumam dizer alguns “eufemistas”. Mas tive a sorte (ou não) de nascer e crescer numa época de grandes transformações. Tanta coisa mudou no mundo desde a minha adolescência, que fica parecendo que já vivi mais de um século.
Vi nascer o video game, o computador ficar pessoal, o surgimento da internet, do celular. Assisti as primeiras transmissões de TV a cabo em nosso país e, brevemente, serei oficialmente apresentado à televisão em high definition ou digital, se preferirem. Isso sem falar que a TV, agora, é de plasma, a internet virou banda larga, celular virou balckberry e o visor das máquinas fotográficas deixaram de ser aquele pontinho em que a gente tinha que enfiar o olho, passando a ser uma pequena tela, com a possibilidade de fazer e refazer fotos sem perder rolos de filme. E não foi só isso. No meio automobilístico, chegaram, para fazer parte do nosso dia-a-dia, o freio a disco, o ABS, os airbags, o câmbio automático, o computador de bordo, o limpador de pára-brisas com sensor de chuva e, como nos mostra o novo comercial da Fiat, já dá até pra passar a marcha pelo volante, como um piloto de Fórmula 1. Quer mais? O fio está com seus dias contados. O lance agora é ser wireless. Tudo sem fio. Tudo. Uma revolução. Que não acaba nunca.
Mas nunca achei que fosse viver para ouvir alguém falar que a publicidade morreu. No meio de tantas invenções maravilhosas, tudo bem que algumas coisas deixem de fazer sentido, como a ficha telefônica, por exemplo. Mas a publicidade?
Muitos alunos me perguntam a respeito. “Professor, é verdade que a publicidade morreu?”; “Professor, e o que será dos publicitários?”; É Professor isso, professor aquilo...
Calma, gente. A publicidade não morreu. E nunca vai morrer. Aliás, é bom que se diga: a publicidade nunca esteve tão bem em nosso país. Duvida? Então veja só. Estou com a Meio & Mensagem desta semana na minha mão. Sabe qual é a manchete principal? “Mercado aquecido gera mudança no comando da criação das agências”. Quer mais? Logo abaixo, como chamada para matéria, está escrito: “Renda popular cresce e exige novas estratégias de comunicação”. Não está satisfeito? Numa reportagem interna, a Ford diz que aumentou o seu budget de comunicação em 30% para este ano. A publicidade não só não acabou, como é um dos setores que mais crescem no Brasil.
Gosto de transformar a famosa frase de All Ries em minhas aulas. Escrevo no quadro: A PUBLICIDADE (como conhecemos hoje) ACABOU. Sim. Do mesmo jeito que é ridículo dizer que um negócio que movimenta bilhões de dólares anuais em todo o mundo acabou, também é ingênuo achar que ela, a publicidade, não foi atingida de nenhuma forma. Continuar achando que anúncios de revista ou de jornal, spots para rádio, placas de outdoor e comerciais de televisão continuarão sendo suficientes para resolver os problemas de comunicação de um anunciante é, no mínimo, irresponsável.
O mundo mudou. A tecnologia mudou. As pessoas mudaram. A publicidade tem que mudar. E a palavra de ordem, agora, é convergência. Se o problema é de comunicação, por que usar apenas uma ferramenta para resolvê-lo? Se o meu público-alvo não é mais aquela pessoa que sai do trabalho para casa e vice-versa, por que usar só as mídias tradicionais? O futuro está na convergência de ferramentas e de meios.
Além da campanha, vamos fazer eventos, assessoria de imprensa, promoção de vendas, marketing direto... Além do outdoor, da revista e da televisão, vamos usar a internet, a rua, o entretenimento, fazer virais, guerrilha, product placement...Não, a publicidade não morreu. Muito pelo contrário, estamos vivendo o que, provavelmente, no futuro, ficará marcado, como o momento mais excitante da história.
Mário Garcia Jr.

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